Berta Cáceres: “A construção refundacional de esperanças não pode ser se não estão as mulheres”

Por desinformémonos

Em meados de 2013, dialogamos com Berta Cáceres e ela nos mostrou seu olhar sobre a centralidade da luta das mulheres em seu país e do processo de perseguição que já vinha sofrendo junto a outros integrantes do Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras (COPINH).  No aniversário de sua semeadura e a poucos dias da greve internacional de mulheres, compartilhamos alguns dos fragmentos mais destacados desta emocionante entrevista, sem deixar de exigir justiça e redobrando com mais forças que nunca a aposta pela defesa dos corpos-territórios contra o despojo dos bens comuns.

Berta vive, a luta segue!

Qual é a situação atual que se vive em Honduras, em particular o processo de criminalização que está sofrendo junto a outros companheiros do COPINH?

Este processo não está isolado da imposição de projetos de saque, de remoções e acaparamento de territórios que, com certeza, vêm acompanhados de um processo de militarização e repressão. Em Honduras isso se acentuou depois do golpe de Estado, fazendo avançar este projeto de dominação que nós temos denunciado permanentemente e que se expressa de maneira concreta em avanços de aprovações de megaprojetos mediante decretos legislativos e executivos, como as regiões sociais de desenvolvimento, a lei de mineração, a lei de intervenção da comunicação pública-privada, a lei de inteligência – que inclusive tem um capítulo para a criminalização das lutas sociais e criação de estruturas militares e de inteligência para vigiar e reprimir os movimentos sociais que fazemos lutas territoriais, por exemplo contra os projetos de privatização das hidrelétricas, mineradoras, grandes investimentos turísticos, os megaprojetos de “cidades modelo”, que nós chamamos às regiões sociais de desenvolvimento. Isto se dá no marco do aprofundamento da pobreza e do desemprego, de Honduras ser um dos países mais violentos do mundo e, com certeza, isso impactou mais fortemente os povos indígenas, que estamos enfrentando a pressão de enormes capitais. É o caso do Río Blanco, onde atuam as empresas Desarrollos Energéticos S.A., DESA, junto com Sinohidro, a transnacional estatal chinesa, que é a maior do mundo em construção de represas, com Voith Hydro da Alemanha e outras transnacionais. E agora com a notícia de que o Grupo Terra – que pertence a oligarcas reconhecidos, não somente por seus empórios econômicos-familiares, mas também pela repressão que dirigiram contra o campesinato do Bajo Aguan – anunciaram sua entrada a Río Blanco. (…)

Isto produziu uma criminalização do COPINH, uma intensa repressão e militarização, participação de sicários, de agentes privados de segurança, mais o exército, que joga um papel muito forte e ativo em dirigir toda uma estratégia para querer despedaçar o COPINH.

Como é o protagonismo das mulheres no marco do COPINH e também em geral na resistência hondurenha?

Para as mulheres nos parece triplamente difícil, já que enfrentamos não só a opressão e a violência sem limites do capitalismo depredador, mas também do patriarcado e do racismo, que seguem sendo um grande desafio para cada uma. Para cada uma, inclusive dentro dos nossos mesmos movimentos sociais. Abrir essas brechas é uma luta titânica das mulheres, que podemos ver que vai avançando em nível de base. Nós podemos dar testemunho da força das mulheres indígenas na luta em defesa do território e da água, e como vão desenvolvendo suas lideranças, como vão construindo desde a coletividade essa capacidade de se mobilizar, de denunciar, de debater, de questionar, desde o mesmo conhecimento, as realidades próprias e desde estas experiências diversas de resistência. Creio que em cada uma das lutas – e estou muito convencida pelo que vi e o que vejo diariamente em nosso país – é fundamental a participação e convicção, o convencimento das mulheres nessas lutas, que pareciam muito difíceis. Quem poderia imaginar que destas comunidades desconhecidas, no meio das montanhas de Río Blanco, surgiria essa força que está baseada muito nas mulheres, que pode expulsar esse monstro do grande capital chinês como é Sinohydro? Isso para nós é uma grande satisfação. Sabemos que não está concluída esta luta, mas as mulheres aqui neste país somos determinantes nela. Essa construção refundacional de esperanças não pode ser se não estão as mulheres, não só participando, mas tomando decisões, construindo, reaprendendo e, com certeza, defendendo nossas soberanias, não só territoriais, mas também autonomias, direitos de nossos corpos, vidas, pensamentos e propostas.

Berta volverá y será millones

Pienso en ti (Víctor Jara)

Cuando voy al trabajo
Pienso en ti
Por las calles del barrio
Pienso en ti
Cuando miro los rostros
Tras el vidrio empañado
Sin saber quienes son
Donde van
Pienso en ti
Mi vida pienso en ti
En ti compañera de mis días
Y del porvenir
De las horas amargas y la dicha
De poder vivir
Laborando el comienzo de una historia
Sin saber el fin
Cuando el turno termina
Y la tarde va
Estirando sus obras
Por el tijeral
Y al volver de la obra
Discutiendo entre amigos
Razonando cuestiones
Desde tiempo y destino
Pienso en ti
Mi vida pienso en ti
En ti compañera de mis días
Y del porvenir
De las horas amargas y la dicha
De poder vivir
Laborando el comienzo de una historia
Sin saber el fin
Cuando llego a la casa estas ahí
Y amarramos los sueños
laborando el comienzo de una historia
Sin saber el fin

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